"Tenho claro que o meu compromisso é com o São Paulo"
Você teve possibilidade de sair do São Paulo?
– Veio a seleção do Equador e uma outra equipe importante, mas meu dever, meu compromisso é com o São Paulo. Eu disse a Belmonte, ao Rui e a todos: "Pode vir o Real Madrid que não vou". Por minha decisão, não posso causar um dano ao São Paulo. Sou comprometido, me jogo no projeto.
Em algum momentos neste ano sentiu que seria demitido para 2025? E o que te surpreendeu no futebol brasileiro?
– Sei que é sempre uma possibilidade, mas não a controlo. O que controlo é que se vem uma equipe, Boca ou qualquer outra, tenho claro que meu compromisso é o São Paulo. Mas não consigo controlar o que pensam Belmonte, Rui, o presidente, jogadores.
– O que peço é que trabalhem em equipe. Preciso que estejam convencidos do que fazemos. Essa confiança dou sempre, apesar dos rumores. Tenho afeto dos torcedores. Muito. As redes sociais são parâmetro e não são. Não sei quem a controla. Se dizem que o Tite está chegando, não posso comprar isso. Não posso crer.
– Na minha vida normal, vou me fazendo entrevistas, vou me perguntando as coisas a todo o tempo. Vou me motivando, me dando ânimo, me fazendo perguntas que me fariam os jornalistas. Essa pergunta eu me fiz, que coisas me surpreenderam. Rapidamente: nenhuma.
E você está convencido?
– Se estou aqui, é porque estou convencido. Os dirigentes da Federação pediram para eu ir para a seleção do Equador. "Te amam, te querem. Vamos para o Mundial". Tem um Copa daqui dois anos. Iria com 43 anos e com uma geração que eu não sei se vai se repetir no Equador. Estupiñan (lateral-esquerdo) começou comigo, ele me chamou para ir. Vários jogadores me ligaram e chamaram. Não quis sair daqui. Precisamos fazer as coisas convencidos, e eu estou convencido.
– Estou convencido que será neste ano, em 2025. Estou convencido que em 2025 seremos campeões da Libertadores. Alguns vão dizer: não, está colocando muita pressão. Estou convencido. Agora, temos de fazer certos movimentos, dar um formato, começar bem, competir bem, mas estou convencido que se formos dando passos fortes de que podemos ganhar a Libertadores. Ou vamos seguir insistindo. E a maneira é ingressar ano após ano.
No começo do ano, o São Paulo te procurou e vocês acabaram não conversando. Muricy Ramalho disse que você demorou a responder. Quais foram os detalhes desta situação?
– Meu representante me chamou e falou que o Rui queria falar comigo. Eu disse que estava difícil, porque tinha que terminar meu desligamento da LDU e preparar minha família, porque havia dito que passaríamos duas semanas juntos. Precisava de 48 horas, mas o São Paulo não podia dar. Nunca falei com eles ali, automaticamente me descartaram e contrataram o Thiago Carpini. Depois, quando me chamaram, já tinha me acertado tudo com LDU e com a minha família.
– Tinham me chamado duas seleções da América do Sul e tinha quase tudo certo com uma equipe da Arábia. Estava tudo bem encaminhado, só tinha que ver a reta final com reforços. Quando apareceu o São Paulo, falei: "É isso". Na primeira vídeo chamada, estavam os quatro: Carlos (Belmonte), Muricy, Julio e Rui. Não compreendia tanto o português, porque cada um falava de uma maneira distinta. Mas sabia o que precisava dizer: "Vou". E esclareci o que tinha acontecido. Quando cheguei aqui, dei um abraço no Muricy e ele me disse que estava tudo certo.
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O que você acha sobre as redes sociais?
– Temos de dimensionar o que se sucede. As redes sociais fazem com que isso se dimensione mais. Se eu tivesse um encontro com Deus e ele me perguntasse: “Luis, o que você quer?”. Meu sonho é que se possa regular as redes sociais. Que pudesse regular as redes sociais, tirem um pouco a tecnologia para poder fazer isso de maneira mais tranquila, sem deixar tão exposto a tantas situações. É muito difícil hoje em dia lutar contra os interesses externos. Por isso eu digo, termina afetando a todos. Quanto mais jovem, menos preparado está para assumir essa situação.
– Hoje, qualquer um diz que Zubeldía é um desastre, um burro, aí sai na plataforma, quiçá cinco pessoas pensam isso e 20 mil não. Mas essas cinco são a verdade e têm a influência, porque o ruim é mais legal. Antes não acontecia isso, porque para chamar de ruim tinha que ir na rádio ou pôr uma pontuação num jornal: “Fulano jogou cinco pontos, Léo jogou seis pontos”. Hoje, se coloca a foto de um jogador: “É um desastre, é um burro”.
Isso chega como para os jogadores?
– A primeira mensagem ao jogador, a nós, é: “Não consuma”. Mas aí o pai, a mãe, a vovó, dizem: “Você viu o que falaram? Que é um burro”. Eu chego na segunda-feira aqui, depois da partida, olho a cara de 40 jogadores e já sei como está a situação de cada um. Eu já sei. Leio muito as caras, as posturas. Estudei muito sobre isso. Li muito sobre isso. Afeta. Os interesses externos afetam muito a nós.
Falando sobre Cotia, que você já visitou, como vê esta geração que venceu a Copa do Brasil sub-20? Pensa em utilizar garotos de lá em 2025?
– Sim. Há duas maneiras de trazer jogadores da base. Uma é comprar jogadores quase prontos de 17 anos; a outra é como o São Paulo faz. Pega jovens desde pequenos e os vai formando. É um processo mais lento e precisa ver se chegam à primeira divisão ou se emprestaremos. Não é bom estancarmos o jogador sem jogar, porque o perdemos.
– Muitos meninos não estão prontos ainda para a pressão do São Paulo. Às vezes é melhor emprestarmos para uma equipe de menor expressão para pegar experiência. Nem sempre é linear a evolução de um jovem. Sai de Cotia e tem que jogar aqui. “Ah, Zubeldía é um burro que não coloca o fulano”. Eu sei de base. Vou colocando paulatinamente.
– Nem sempre estão prontos. Temos o William, que eu estou protegendo e polindo. E pode haver outros mais. Henrique, Ferreira, Ryan, Alves, que é o 10, Hugo, que é o volante central, poderia nomear todos. Não os conheço de agora, conheço de julho. Já conheço todos. Mas precisamos ter paciência.

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